A palestra Prisão e poder disciplinar em Foucault propõe uma incursão rigorosa no pensamento de Michel Foucault, tomando como eixos centrais as obras Vigiar e Punir e Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão. Trata-se de interrogar a prisão não como instituição isolada, mas como forma histórica de exercício do poder, cuja racionalidade se infiltra nos mais diversos domínios da vida social.
A partir da análise foucaultiana, examina-se o deslocamento das práticas punitivas do suplício à disciplina, evidenciando a emergência de tecnologias de vigilância, normalização e gestão dos corpos. A prisão comparece, assim, como dispositivo privilegiado de produção de sujeitos, articulando saberes e práticas que configuram regimes de verdade. No caso Rivière, a multiplicidade de discursos (jurídicos, médicos, psiquiátricos) revela não apenas a disputa pela interpretação do crime, mas a própria constituição do sujeito criminoso como efeito dessas redes discursivas.
Nessa perspectiva, a exposição dialoga com a trajetória intelectual de Luiz Carlos da Rocha, cuja produção evidencia como saberes como a psiquiatria e a criminologia informados, por exemplo, pela teoria da degenerescência e pela antropologia criminal de Cesare Lombroso, operam na fabricação de categorias, diagnósticos e classificações que sustentam práticas de controle social e assujeitamento. Ao enfatizar a produção de “efeitos de verdade”, esses saberes se mostram indissociáveis das estratégias contemporâneas de regulação nas áreas da saúde, da educação, da segurança e da comunicação.
Em um contexto no qual tais problemáticas permanecem frequentemente marginalizadas nos currículos de graduação em Psicologia, a palestra busca tensionar evidências naturalizadas e reabrir questões fundamentais acerca das relações entre poder, saber e subjetividade. Ao deslocar o olhar para os mecanismos históricos de constituição do sujeito, convida-se o público a participar ativamente do debate, interrogando as formas pelas quais ainda hoje se produzem, classificam e governam vidas. Trata-se, portanto, de um espaço de problematização crítica, organizado pelo PET Psicologia da UNESP, que convoca à reflexão sobre aquilo que, muitas vezes, permanece invisível sob a aparência de evidência.
Palestrante: Prof. Dr. Luiz Carlos da Rocha
Data do Evento: 28/05 das 13h30 às 17h (quinta-feira)
Local: sala 03 do prédio de Psicologia – UNESP
Público-alvo: Pessoas interessadas em se aprofundar nos estudos da historicidade do sistema policial-carcerário, além de suas perspectivas nos dias atuais.
Coordenador: Davis Perez
Comissão Organizadora
Laura de Lima Pansani
Manuela Naresi de Borba
Apoio e realização: Grupo PET Psicologia